Relato do Grupo Psicoterapia para Mulheres

Este relato refere-se a um dos encontros do Grupo Psicoterapia para Mulheres. Aqui falo sobre como coordenar um grupo de mulheres e trabalhar com elas a partir de suas falas. Nesse encontro aparece o tema “dar valor ao que se tem” o que propiciou um exercício sobre agradecimentos e alívio de algum problema/angustia. Também será abordado como lidar quando uma das participantes precisa de maior atenção. Para esse encontro foi necessária uma sala com mesa e cadeiras, folhas A4, tesouras e canetinhas coloridas. Segue relato:

Hoje estava um dia bastante chuvoso e, mesmo assim, compareceram 10 das 12 participantes. Comentei com o grupo e batemos palmas para nós mesmas, ao mesmo tempo em que algumas falavam da importância do grupo para elas.

Apresentamo-nos rapidamente, pois havia uma nova integrante. Dei espaço para que ela pudesse falar um pouco de si. Ela contou de sua recente experiência numa internação em hospital psiquiátrico e outras se identificaram. Falaram do ambiente ser insalubre e perturbador, contudo algumas contataram que às vezes a internação é necessária. Chegaram a conclusão de que é preciso dar-se valor ao que se tem, o assunto (“dar valor ao que se tem”) foi transformando-se no tema grupal. Para aprofundamento de tal tema, propus um exercício utilizando-me dos materiais disponíveis. Continuar lendo

Compreendendo a Esquizofrenia e outras psicoses a partir da Gestalt Terapia – PUBLICAÇÕES

O objetivo é facilitar a procura, pois ainda há poucas publicações relacionando a GT e as psicoses. As bases de dados utilizadas para as buscas são: Bireme, Google Acadêmico e Scielo.

As referências estão postadas em ordem cronológica decrescente e possuem link (é só clicar em cima do nome) direto ao texto completo.

Encontrando um modo de ser esquizofrênico, arte e técnica na gestalt terapia. Júlio Manoel dos Santos Filho Virgínia Elizabeth Suassuna Martins Costa, 2016.

A experiência das psicoses_Um olhar teórico-clínico da Gestalt-Terapia. Marcela Albo de Oliveira, 2015.

A arteterapia gestáltica como instrumento na clínica individual com clientes que estão esquizofrênicos. Fabrício Siqueira Basso, 2011.

Reflexões acerca da esquizofrenia na abordagem gestáltica. Ludmila Vieira, 2010.

A clínica gestáltica e os ajustamentos do tipo psicótico. Lílian Cherulli de Carvalho e Ileno Izídio da Costa, 2010.

A Intervenção Precoce nos Ajustamentos do Tipo Psicótico e a Clínica Gestáltica. Lílian Cherulli de Carvalho, 2008.

Clínica dos ajustamentos psicóticos_uma proposta a partir da Gestaltterapia. Müller-Granzotto & Müller-Granzotto, 2008.

Terapia Gestalt con esquizofrenicos. John H. Gagnon, s.d.


Confira seleção completa de textos em: http://www.falandosobreesquizofrenia.com.br/gestalt-terapia/


 

ARTIGO: Terapia de Grupo em Gestalt Terapia

Cristina Folster Pereira

As pessoas são necessariamente seres de relação, é no encontro, contato, que há a possibilidade de transformação e humanização. O grupo é, pois, um microcosmo onde o cotidiano acontece (RIBEIRO, 1994). Indo ao encontro deste entendimento, Perls chega a considerar a psicoterapia individual obsoleta:

A probabilidade de que a terapia individual e de longa duração possam, ambas, ser obsoletas ainda não se revelou para a vasta maioria de terapeutas e pacientes. Na verdade, grupos e workshops encontram crescente aceitação, mais por sua exequibilidade econômica do que por sua eficácia. Contudo, a sessão individual deveria ser a exceção mais do que a regra (PERLS, 2002, p. 35 e 36).

A psicoterapia de grupo amplia as possibilidades além das oferecidas unicamente pelo terapeuta. O grupo constituiu um laboratório seguro de contato e experimentação, pois mantêm uma relação estreita com a realidade (RIBEIRO, 1994; ROBINE, 2006; VARAS, 2011). Costuma-se mencionar que as terapias em grupo são mais econômicas do que as individuais, na medida em que as sessões são mais baratas, embora possa ser verdade, este aspecto deve ser considerado de menor importância, visto que a real economia está na rapidez em que as pessoas têm a possibilidade de dar-se conta (VARAS, 2011).   Os membros de um grupo terapêutico têm a oportunidade de ver, escutar e sentir o mundo e a si mesmos com os sentidos do outro (RIBEIRO, 1994), o grupo tem um ritmo que tende a mobilizar e energizar os participantes, assim como os obriga a serem mais espontâneos (VARAS, 2011).
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ARTIGO: Gestalt Terapia: principais conceitos

Cristina Folster Pereira

A Gestalt Terapia é um sistema teórico e metodológico originária da psicologia da Gestalt, psicanálise e fenomenologia. Também têm influências da neuropsiquiatria de Goldstein e existencialismo. Gestalt é uma palavra alemã que pode ser entendida como uma configuração, estrutura, um todo organizado e significativo. A definição de uma Gestalt implica o fato de que a totalidade é diferente da soma de suas partes, ao mesmo tempo em que esta configuração global depende das partes que a compõe. Esta compreensão é considerada imprescindível à abordagem gestáltica (PHG, 1997; ROBINE, 2006).

Robine (2006) considera o livro “Gestalt-Terapia”, lançado em 1951, como fundador da abordagem. Perls, Hefferline e Goodman (1997), autores da respectiva obra, declaram que o propósito era justamente desenvolver uma nova teoria e método, contudo trazem, ainda no prefácio, a citação de um livro anterior, “Ego, Hunger and Agression” de 1947, em que Frederick S. Perls, fundador da GT, apresenta uma importante teoria à abordagem gestáltica, “Figura-fundo”, assim como relevantes conceitos: necessidade e auto regulação organísmica. 

Figura-fundo: O fundo é o contexto no qual aparece um elemento e, a figura é o que sobressai deste fundo. Essa interação figura e fundo é considerada o centro da teoria da Gestalt Terapia. Continuar lendo