Teatro

Oficina criada com o objetivo de ampliação do teatro para além do palco, tendo a espontaneidade e a criatividade como ingredientes principais. Nesta oficina valorizamos muito mais o processo do que o produto que possa resultar. A pessoa em sofrimento psiquico, muitas vezes estigmatizada pelo diagnóstico psiquiátrico, encontra no teatro uma saída para suas angustias. As diferenças e o preconceito são atenuados possibilitando, entre outros beneficios, a reabilitação psicossocial, melhoria da qualidade de vida e ressignificação.

O trabalho com o teatro como possibilidade terapêutica não é uma novidade, Jacob Levy Moreno, médico psiquiatra nascido na Romênia fundou o Teatro da Espontaneidade, dando origem ao Psicodrama (umas das abordagens da psicologia), na década de 20, que oportunizou o encontro de pessoas com propósito de compartilhar seus dramas sociais da época pós guerra. Ele chegou a utilizar o Teatro da Espontaneidade também com pacientes de hospital psiquiátrico (GONÇALVES, WOLFF, ALMEIDA, 1998).

Não poderia deixar de citar também Augusto Boal, diretor de teatro e dramaturgo nascido no Rio de Janeiro, que na década de 1970 criou o teatro do oprimido (TO). Uma de suas intenções era fazer um teatro para o povo e pelo povo, provocando uma revolução, como Moreno, ao colocar os meios de produção teatral nas mãos de todos e, assim, subverter o ritual convencional do teatro, ao levar a plateia para o palco. Boal chegou a afirmar que “Todo mundo pode fazer teatro – até mesmo os atores!” enfatizando a capacidade de todos os seres humanos de executar qualquer atividade (BOAL, 2002).

Boal e Moreno proporcionaram a arte para qualquer pessoa que assim o quisesse e visualizaram o valor terapeutico deste, colocando-o em destaque, beneficiando pessoas socialmente excluidas. Sairam do sofrimento individual, tornando-o coletivo, ampliando assim a visão de quem sofre. Através da espontaneidade e da criatividade deram vida e importância aos sentimentos das pessoas.

O trabalho iniciado por Moreno e Boal é continuado até hoje por diferentes profissionais da área da saúde mental e levado aos dispositivos chaves da reforma psiquiátrica como os CAPS. Contribuindo na implementação das políticas públicas que têm como uma de suas metas principais a ressocialização de pessoas diagnosticadas com algum transtorno mental.

No CAPS II de São José, essa oficina também está sendo uma oportunidade dos usuários se experimentarem, não somente em outros papeis, mas também em outros locais extra CAPS, visto que já foi apresentado em dois importantes eventos (veja os links abaixo), XI Encontro de Saúde Mental e V Congresso Nacional de Residências em Saúde. Após as apresentações os usuários puderam se assistir, pois, todas as fotos e vídeos produzidos nos eventos foram compartilhados por meio dos computadores e televisão do CAPS e disponibilizados a cada um que assim quisesse. Nestes momentos eles relataram sentimentos de extrema alegria, realização e desejo de repetir a experiência. O senso de responsabilidade, comprometimento e empoderamento também pareceu bastante desenvolvido após estas apresentações.

Referências

GONÇALVES, C.S.; WOLFF, J.R.; ALMEIDA, W.C. Lições de psicodrama: introdução ao pensamento de J.L.Moreno. 5.ed. São Paulo: Ágora, 1998.

BOAL, Augusto. O arco-íris do desejo: método Boal de teatro e terapia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

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Apresentação no XI Encontro Catarinense de Saúde Mental – UFSC/Florianópolis (15 outubro/2015): http://www.falandosobreesquizofrenia.com.br/teatro-sensacao-caps-ii-sao-josesc/

Apresentação no V Congresso Nacional de Residências em Saúde – UFSC.           (29 outubro/2015): http://www.falandosobreesquizofrenia.com.br/oficina-de-teatro-caps-ii-sao-jose-no-v-enrs/

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