Internação Psiquiátrica: Dúvidas frequentes

O comentário/dúvida mais frequente aqui no blog é sobre o tema internação: “Devo internar?”, “Como internar?”. Recebo também muitas perguntas sobre o IPq (Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina), antigo Colônia Santana.  Por este motivo, este post é dedicado ao tema internação.

http://ulbra-to.br/encena/uploads/

(hospital psiquiátrico juquery – são paulo)

 

Primeiramente é necessário esclarecer, QUANDO INTERNAR?

Na proposta da Política Nacional de Saúde Mental a partir dos pressupostos da Reforma Psiquiátrica, a internação hospitalar deve ser o último recurso para o atendimento das necessidades das pessoas relacionadas ao sofrimento psíquico. Quando todos os recursos da linha de cuidado tiverem sido esgotados, o tempo de internação deve ser o mais breve possível objetivando estabilizar o quadro agudo em que o paciente se encontra. (Coord. Estadual de Saúde Mental/SC).

Uma pessoa precisará de uma internação quando todos os recursos extra-hospitalares (UBS, NASF, CAPS…) forem esgotados. Casos em que há risco real de vida é um exemplo. Assim, se o paciente tem ideação suicida com planejamento (pensa e planeja se matar) e nenhum familiar ou profissional consegue ficar 24 horas com esta pessoa, a internação pode ser a alternativa. Também pode ser alternativa aos casos de ideação e planejamento de homicídio, e/ou agressividade difícil de ser contida pelos familiares. E casos em que a pessoa com graves sintomas psicóticos (alucinações, delírios, agitação psicomotora, catatonia…) não se percebe doente e não aceita tratamento. Enfim, estes são alguns exemplos que talvez precisassem de internação.

O QUE FAZER nestes casos de emergência?

No SUS (Sistema Único de Saúde) quando há casos de Urgência e Emergência em Saúde Mental utiliza-se O SAMU, UPA 24 horas, Emergência de hospitais gerais, Unidade Básica de Saúde, dentre outros. Bom, isso é o que está em lei (Lei 10.216/2001), mas, na realidade nem sempre podemos contar com estes serviços. Muitos não estão preparados para tal demanda seja pelo preconceito ou falta de recursos e capacitações.

Contudo, se você é um familiar/cuidador e percebe-se em situação de emergência, pode sim procurar estes serviços. Para os pacientes que são acompanhados em CAPS, o familiar deve entrar em contato (com o CAPS) para informar o que está ocorrendo e receber as devidas orientações.

ONDE INTERNAR?

Quando não há mais alternativas que não a internação, os Leitos Psiquiátricos em Hospitais Gerais ou os Hospitais Especializados (Hospitais Psiquiátricos) são os locais para este tipo de tratamento.

Ainda são poucos os hospitais gerais com leitos psiquiátricos, mas são serviços que tendem a aumentar e substituir os hospitais psiquiátricos. Aqui temos uma lista destes hospitais em Santa Catarina: Hospitais SC

Para as cidades que não contam ainda com leitos psiquiátricos em hospital geral, a internação é realizada nos hospitais especializados. Aqui lista dos três hospitais psiquiátricos catarinenses: Hospitais Especializados.

Em todos os casos, o paciente passará pelo atendimento médico (psiquiatra de plantão da Instituição) que avaliará a real necessidade de internação.

Qual a DURAÇÃO DA INTERNAÇÃO? Será a nova moradia do paciente?

O tempo de internação será breve (dias), o objetivo é a estabilização da crise/risco. Ou seja, não será uma nova moradia, inclusive, por lei, estes serviços não podem ter caráter asilar.

Quando há necessidade de moradia falamos em Serviços Residenciais Terapêuticos que Constituem-se como alternativas de moradia para um grande contingente de pessoas que estão internadas há anos em hospitais psiquiátricos por não contarem com suporte adequado na comunidade. Além disso, essas residências podem servir de apoio a usuários de outros serviços de saúde mental, que não contem com suporte familiar e social suficientes para garantir espaço adequado de moradia. (fonte: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/120.pdf).

IPq (Antigo Hospital Colônia Santana)

Muitas pessoas me perguntam e comentam sobre este serviço, assim escreverei em outro post sobre o assunto. Por enquanto, você pode tirar algumas dúvidas em: http://www.falandosobreesquizofrenia.com.br/ipq-antigo-hospital-colonia-santana/

13 ideias sobre “Internação Psiquiátrica: Dúvidas frequentes

  1. Boa tarde, gostaria de saber se é possível uma internação de mais de dois anos e quando o paciente entre voluntariamente e sozinho, e coloca um contato na ficha a clínica não entra em contato com a pessoa pra saber detalhes do paciente ou pra ter alguém de fora para ajudar.
    é possível o paciente vetar qualquer ação da clínica? Do tipo não ligar pro contato, não mandar nada e etc?
    tenho um conhecido que está há mais de dois anos e eu sou o contato e nunca ligaram pra mim, nem quando ele estava em crise…é normal?

    • Não, não é normal em duas coisas. Primeiro que não se interna mais por tanto tempo, segundo é que a pessoa que acompanha fica como responsável daquele que internou.
      Oriento procurares pessoalmente tal clínica.

      Abraço

  2. Bom dia. então, a minha filha quase nunca recusa a medicação, mas nesses últimos 5 meses entrou num quadro de alucinação e delírio e não consegue sair, recusa a medicação, se isolou totalmente e não aceita nenhum membro da família…já esgotaram todos os nossos recursos… será o caso de internação?…

    • Olá Miriam, ela aceitaria uma visita domiciliar de algum profissional?
      Você poderia procurar ajuda em CAPS (mais recomendado) ou sua Unidade Básica de Saúde.
      Agora, caso ela recuse atendimento, continue negando o tratamento medicamentoso e seguir com os sintomas, deve-se procurar Emergência Psiquiátrica.
      No caso de Santa Catarina, será o IPq (no município de São José) ou, alguns municípios (como Joinville) têm leitos psiquiátricos em seu hospital geral.
      Emergências Psiquiátricas não necessitam de encaminhamento,você pode levá-la qualquer dia e horário e aguardar o psiquiátrica de plantão chamá-la.

      Desejo melhoras à sua filha

      Abraço

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